COMPANHIA DE CAÇADORES 3566 - GUINÉ - 1972/74

Blogue que tem como objectivo contar as pequenas estórias vividas por cada um dos METRALHAS e que acabam por fazer a história de OS METRALHAS DE EMPADA (e Catió)

HISTÓRIA DA CCAÇ 3566 - 1º. - FORMAÇÃO

sábado, 7 de abril de 2012

JOAQUIM PINHEIRO DA SILVA - EU ME CONFESSO...

Mensagem de Joaquim Pinheiro da Silva, na época já conhecido como o Brasuca, Soldado Atirador da CCAÇ 3566, com data de 6 de Abril de 2012, actualmente a viver no Brasil
EU ME CONFESSO!!!
Olá METRALHADA!!! Pois bem, eu vou começar com uma confissão em aberto a todos... Penso que alguns sabem deste caso... os que não sabem, vão ficar a saber.
Pois bem. O Manteigas – o nosso cozinheiro - tinha uma galinha que ficava amarrada a um cordel (corda fina) lá no abrigo onde dormia... penso que era próximo do forno do Jorge – o padeiro; e lá se passavam os dias... A cada dia que passava a "gaja" ficava mais gorda (pudera!!! comia melhor que eu!!!)... e o tempo ia passando e a galinha "engordando".
Vocês devem-se lembrar, que eu tinha um gajo que andava sempre (ou quase) comigo... era o Gonçalves (o Alentejano), ... e num belo dia, a ideia surgiu!!!
- Eh pá!!! Vamos roubar a galinha do Manteigas? (disse eu ao alentejano) ao que ele acatou de pronto... E lá fomos nós... eu a roubar a galinha e o Alentejano na oficina arranjar petróleo pra fazermos uma jantarada!!!
Fui sorrateiramente ao abrigo (com cuidado pra não ser visto)... joguei algumas migalhas de pão para entreter a galinha (nesta altura já bem gorda)... e pimba... pulei em cima dela, tapando-lhe o bico pra não dar alarme...
Situação controlada... a caça já abatida... etc., mas... faltava alguma coisa! Eu tinha que deixar a "marca registada"... a brincadeira (estou aqui relembrando e rindo)... o que me veio à cabeça?... Pensei... vou cortar a perna da galinha e deixá-la amarrada na guita (como dizia o Manteigas...). E assim foi. Roubei a galinha mas sem uma perna, a perna ficou no cordel.
O mais engraçado da história não foi roubar e comer a galinha... O mais engraçado foi a cara de espanto do Manteigas... quando puxou a corda que prendia a galinha e se deparou tão somente COM UMA PERNA!!! 
(O Manteigas, de nome completo António Natal Manteigas)
(O Gonçalves, o Alentejano, já nos deixou. Era de Alcácer do Sal. Tenho uma estima enorme pela esposa Maria Clarinda e pelo filho).

quinta-feira, 5 de abril de 2012

COMPOSIÇÃO INICIAL


COMPOSIÇÃO INICIAL DA CCAÇ. 3566
MILITARES QUE PARTIRAM DE CHAVES PARA BISSAU - 22 E 23/03/1972
Capitão Miliciano João Nuno Rocheta Guerreiro Rua Comandante de Companhia
Alferes Miliciano Luís António Ventura Magalhães Atirador
Alferes Miliciano Joaquim Freitas Leitão Operações Especiais
Alferes Miliciano José Gonçalves Louro Atirador
Alferes Miliciano Luís Filipe Alves Afonso Atirador
1º. Sargento José Pinheiro Coelho Auxiliar de Companhia
2º. Sargento Manuel de Jesus Teixeira Auxiliar de 1º. Sargento
Furriel Miliciano Helder José Simão Guerreiro Alimentação
Furriel Miliciano José dos Anjos Subtil da Luz Atirador
Furriel Miliciano Miguel Augusto Vaz do Souto Atirador
Furriel Miliciano Vitor Manuel Pereira da Costa Marques Mecânico Auto
Furriel Miliciano António Ricardo da Luz Alves Atirador
Furriel Miliciano João Manuel Lopes Teixeira Enfermeiro
Furriel Miliciano Horácio Martins Ferreira Atirador
Furriel Miliciano Lourenço Gabriel Valadão Vaz Atirador
Furriel Miliciano Antero Francisco Carvalho dos Santos Atirador
Furriel Miliciano Manuel Fernando Moreira de Sousa Braga Armas Pesadas
Furriel Miliciano Orlando Relvas Maria Atirador
Furriel Miliciano Vitor Manuel Dias dos Santos Atirador
Furriel Miliciano Armando de Sousa Transmissões de Infantaria
Furriel Miliciano Artur Leite Ribeiro Atirador
Furriel Miliciano José Manuel Olival Atirador
1º. Cabo Zacarias da Silva Oliveira Condutor Auto
1º. Cabo José Cardoso Pinheiro Condutor Auto
1º. Cabo José Augusto de Brito Lopes Auxiliar de enfermagem
1º. Cabo Manuel Fernando Ferreira dos Santos Auxiliar de enfermagem
1º. Cabo Antenor dos Santos Gomes Corneteiro
1º. Cabo Luís Filipe Domingues Figueiredo Escriturário
1º. Cabo Diamantino Pereira de Oliveira Mecânico Auto
1º. Cabo João Paulo Machado Ribeiro de Matos Cozinheiro
1º. Cabo José António da Costa e Sousa Auxiliar de enfermagem
1º. Cabo José Almeida Carvalho Mecânico Armas Ligeiras
1º. Cabo José Dias da Silva Apontador de morteiro
1º. Cabo Jorge Fernando da Fonseca Rádio telegrafista
1º. Cabo Fernando de Oliveira Rodrigues Padeiro
1º. Cabo Joaquim Pires Correia Apontador de metralhadora
1º. Cabo José Joaquim da Silva Vieira Apontador de metralhadora
1º. Cabo Messias Augusto Moura Róios Rádio telegrafista
1º. Cabo Joaquim Alves Pereira Atirador
1º. Cabo Domingos da Silva Nogueira Atirador
1º. Cabo Manuel dos Santos Marques Atirador
1º. Cabo José Pinto Monteiro Atirador
1º. Cabo Amadeu Henriques da Silva Atirador
1º. Cabo António Lucas de Almeida Caramelo Atirador
1º. Cabo Jorge Manuel Pires Mateus Atirador
1º. Cabo António José Pinto de Castro Agra Atirador
1º. Cabo Angelo Rodrigues Marta Pinto Atirador
1º. Cabo Hermínio Vicente Atirador
1º. Cabo António Fernando Carvalho Guimarães Atirador
1º. Cabo Joaquim Mendes Abrantes Atirador
1º. Cabo Joaquim Pereira da Silva Atirador
1º. Cabo Graciano Caldeira Ribeiro Atirador
1º. Cabo Adérito Gonçalves Atirador
1º. Cabo António Marques Rodrigues Atirador
1º. Cabo Fernando da Costa Carvalho Atirador
1º. Cabo Jorge Manuel Ribeiro de Castro Operador Cripto
Soldado Alfredo Francisco dos Reis Atirador
Soldado Augusto Jorge Tavares de Oliveira Atirador
Soldado Flávio Augusto Gomes da Silva Mecânico Auto
Soldado Aurélio Ferreira de Sousa Mecânico Auto
Soldado Alfredo da Conceição Flórido Atirador
Soldado Manuel Gonçalves Pereira Atirador
Soldado Ernesto da Costa Domingues Atirador
Soldado Carlos Ferreira da Costa Condutor Auto
Soldado Manuel António da Silva Pereira Condutor Auto
Soldado Francisco Jorge Allen Gomes Pereira Condutor Auto
Soldado José Joaquim da Silva Oliveira Condutor Auto
Soldado António de Oliveira Santos Condutor Auto
Soldado Alberto Fernandes da Rocha Condutor Auto
Soldado Delfim Ferreira dos Santos Condutor Auto
Soldado Carlos Gomes Condutor Auto
Soldado António de Oliveira Chaves Condutor Auto
Soldado Cesário Augusto Mota Transmissões de Infantaria
Soldado António Fernando Ribeiro Machado Condutor Auto
Soldado Manuel Galvão Condutor Auto
Soldado José de Castro Neves Ribeiro Condutor Auto
Soldado Emílio Castilho Azenha Andrade Atirador
Soldado Manuel Braga da Silva Transmissões de Infantaria
Soldado Luciano Gonçalves Carreira Atirador
Soldado José Manuel Candeias Atirador
Soldado Manuel Araújo Gomes da Cunha Corneteiro
Soldado Abraão Augusto Quintela Transmissões de Infantaria
Soldado Adelino Martins Pinto Corneteiro
Soldado João Manuel Caldas da Silva Atirador
Soldado Moisés Campos Ribeiro Moreira Atirador
Soldado Rogério Ferreira Corneteiro
Soldado Adriano da Silva Ferreira Corneteiro
Soldado António José da Fonseca Henriques Atirador
Soldado Carolino de Jesus Pereira Atirador
Soldado José de Araújo Duarte Magalhães Rádio telegrafista
Soldado Carlos Fernando Caetano Ramalho Atirador
Soldado Manuel Augusto Domingues Atirador
Soldado Armindo António Ribeiro Pinto Rádio telegrafista
Soldado Joaquim Ramos de Sousa Atirador
Soldado Jorge Carlos Gomes de Almeida Atirador
Soldado António de Sousa Atirador
Soldado António José Cunha dos Prazeres Atirador
Soldado Joaquim Pinheiro da Silva Atirador
Soldado António da Silva Duarte Atirador
Soldado António Correia Valente Atirador
Soldado António Augusto Moreira da Silveira Atirador
Soldado Agostinho Rodrigues Marques dos Santos Atirador
Soldado Fausto Augusto Cardoso Atirador
Soldado António Joaquim Rosa Gonçalves Atirador
Soldado Augusto dos Santos Mateus Atirador
Soldado João Manuel Rodrigues Auxiliar de cozinha
Soldado José Pereira Fernandes Auxiliar de cozinha
Soldado Eduardo Alfredo de Barros Forte Atirador
Soldado José Manuel Osório Monteiro Atirador
Soldado Amadeu Ferreira Santana Atirador
Soldado Francisco Ramos da Costa Atirador
Soldado Almor dos Santos Serra Fernandes Atirador
Soldado David da Cunha Cardoso Atirador
Soldado Secundino Carneiro da Silva Atirador
Soldado José Alexandre da Silva Atirador
Soldado Orlando das Neves Atirador
Soldado Albertino Afonso Fernandes Atirador
Soldado Manuel Figueiredo da Fonseca Atirador
Soldado Mário de Andrade Atirador
Soldado Manuel da Rocha Marques Atirador
Soldado Leopoldo Augusto Neomo Martins Atirador
Soldado Rui Correia Pinto Atirador
Soldado Valdemar Marques de Albuquerque Atirador
Soldado Domingos de Jesus Veríssimo Atirador
Soldado José Walter Outeiro da Fonseca Atirador
Soldado Cesário Gomes Atirador
Soldado Armindo Arcolino da Fonte Atirador
Soldado Silvio da Conceição Atirador
Soldado Manuel da Silva Queirós Atirador
Soldado Manuel Rodrigues Duarte Atirador
Soldado Joaquim José Mesquita Maia Atirador
Soldado Hermínio António Atirador
Soldado José António Borges Atirador
Soldado José Maria Dias de Freitas Atirador
Soldado Augusto da Silva Ferreira Atirador
Soldado Manuel Rodrigues Ribeiro Atirador
Soldado Joaquim Pereira da Silva Atirador
Soldado Raul Augusto Martins Monteiro Atirador
Soldado Domingos Rosa Veiga Atirador
Soldado Amândio Gonçalves Baptista Bota Atirador
Soldado Joaquim Pereira Martins Atirador
Soldado António José Pires Leitão Atirador
Soldado Domingos de Jesus Leitão Atirador
Soldado Evaristo da Silva Carneiro Atirador
Soldado Armindo Pereira Atirador
Soldado Arlindo da Silva Santos Atirador
Soldado Bernardo Fernandes de Sousa Atirador
Soldado António Maria Garcia Atirador
Soldado Virgílio Lima Rodrigues Correia Atirador
Soldado Amadeu Dias Martins Atirador
Soldado António José Pássaro Atirador
Soldado Alfredo Lopes Carneiro Atirador
Soldado Augusto da Costa Sousa Atirador
Soldado José Manuel Ferreira Atirador
Soldado António José da Silva Atirador
Soldado Luís António Carneiro Atirador
Soldado António Natal Manteigas Cozinheiro
Soldado Celestino Neves Pereira Apontador de morteiro

quarta-feira, 4 de abril de 2012

HISTÓRIA DA CCAÇ. 3566 - Post 3 - Deslocação de Bissau para Bolama

Pelas 06H00 do dia 24 de Março de 1972, verificou-se a alvorada, pois o embarque para Bolama, local onde OS METRALHAS iriam fazer o seu IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional, estava marcado para as 08H00. Viaturas auto iniciaram o transporte do pessoal e suas bagagens para o cais da Bolola, onde a LDG “ALFANGE” nos aguardava a fim de nos transportar até Bolama.
Por vontade alheia à vontade de todos OS METRALHAS, o embarque viria a processar-se três horas após o horário previsto.
Assim, OS METRALHAS, viram-se dentro de uma LDG (lancha de desembarque grande) rumo a Bolama.
A atmosfera que se respirava era um pouco tensa e de expectativa. O destino quis no entanto que a CCAÇ. 3566 não se sentisse inteiramente isolada, e assim em sua companhia, viajou uma outra Companhia que também se dirigia a Bolama para fazer o IAO.
A viagem acabou por decorrer normalmente, só que bastante incómoda, como poderá ser comprovado pelas 7 horas para ser vencida a distância Bissau-Bolama, pois a LDG “ALFANGE” teve que contornar praticamente quase toda a ilha de Bolama, já que foi impossível fazer a viagem pelo canal, o que reduziria a cerca de metade a distância entre as duas cidades.
Chegados a Bolama, OS METRALHAS carregaram as suas bagagens, encaminhando-se para o local que lhes foi indicado. Essa morada, que julgávamos ser só nossa, acabou por ser compartilhada com mais um Batalhão e uma outra Companhia Independente.

terça-feira, 3 de abril de 2012

HISTÓRIA DA CCAÇ. 3566 - Post 2 - Partida de Chaves para Bissau

Para a cerimónia de despedida, realizou-se uma concentração em formatura das Unidades Mobilizadas – Batalhão de Caçadores nº 3884 e Companhia Independente de Caçadores nº 3566. Seguiram-se breves exortações pelo Sr. Comandante do Batalhão de Caçadores nº 10, Coronel César Cardoso da Silva, e Comandante do Batalhão de Caçadores nº 3884. Após esta cerimónia, procedeu-se à entrega dos respectivos guiões. Para finalizar a cerimónia de despedida, as Unidades mobilizadas ostentando orgulhosamente os seus guiões, desfilaram pelas ruas da cidade.
Chegou o momento de abandonar Chaves na noite de 22 de Março de 1972. É indescritível a tensão que reinava em todos OS METRALHAS nessa noite. Abeirava-se o “grande passo”.
Cerca das 21H00 efectuou-se o embarque para Lisboa em autocarros da Auto-Viação do Tâmega, que tinham sido alugados para o efeito. Seguiu-se então uma longa e dolorosa viagem, através de uma noite invernosa, rumo a Lisboa, com passagem por diversas vilas e cidades, nomeadamente pelo Porto, berço natal de alguns componentes desta família.
As malas de OS METRALHAS e o avião que os transportou
A capital acabou por ser atingida cerca das 07H00 de 23 de Março de 1972. Aqui, e depois das formalidades e últimos abraços de despedida, na aerogare do Aeroporto Militar de Lisboa, embarcámos num Boeing 707 da Força Aérea Portuguesa, rumo à Província da Guiné.
Nesta mesma data, e pelas 15H00 locais, desembarcámos no Aeroporto Craveiro Lopes, em Bissalanca. Sob uma temperatura asfixiante e uma gritaria de “salta pira”, e cumpridas todas as formalidades de apresentação, viaturas civis conduziram a CCAÇ. 3566 à cidade de Bissau, tendo ficado provisoriamente alojada no Batalhão de Intendência.
Não foi de admirar as expressões de expectativa que se podiam ler em todos os rostos. A Guiné já há muito se tornara um mito. Depois de ser indicado o lugar para a pernoita e distribuídas duas rações de combate “tipo 20”, foram feitas as primeiras recomendações, nomeadamente sobre a precaução que se deveria ter com a qualidade das águas a ingerir. 


Seguidamente foram preenchidas as primeiras despensas de recolher. Grande parte dos componentes desta Companhia, aproveitou entretanto para conhecer um bocadinho da cidade de Bissau. Estavam vencidas as primeiras horas da comissão de serviço nesta Província Ultramarina.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

HISTÓRIA DA CCAÇ. 3566 - Post 1 - Formação da Unidade


FORMAÇÃO DA CCAÇ 3566
A 20 de Fevereiro de 1972, na cidade fronteiriça de Chaves, começaram a juntar-se no Batalhão de Caçadores nº 10, os componentes duma nova família - A Companhia Independente de Caçadores nº 3566.
Começaram então a ver-se por todo o lado militares, das diversas categorias hierárquicas, ostentando orgulhosamente no peito um “crachá” multicolor onde se podia ler “Guiné 72 – 74 OS METRALHAS”. Estava baptizada esta nova família.
Após a concentração do pessoal, verificou-se que a maioria era oriunda do Minho, Trás-os-Montes e Douro Litoral, enquanto a minoria era oriunda do centro do País e Ilhas Adjacentes.
O nível de Instrução, à excepção dos especialistas, vindos das respectivas Unidades de Formação e dum Pelotão de Atiradores do Regimento de Infantaria nº 1, era bastante conhecida,  já que a mesma tinha sido dada por graduados da CCAÇ. 3566. No entanto, não foi fácil obter-se um nível de instrução sofrível, devido, quase inteiramente, ao clima que nessa época se fazia sentir. Diversas foram as vezes em que se registaram temperaturas da ordem dos 10 graus negativos, sendo, como é óbvio, imensamente penosa a preparação de OS METRALHAS. Contudo, conseguiu-se atingir o objectivo, devido à boa compreensão e esforço de todos.